O despertador faz seu trabalho, e eu reclamo por mais alguns minutos na cama quente.

Jogo meu corpo para fora e meus pés tocam o chão frio, esperando ordem. Caminho ainda sem noção, enquanto esfrego os olhos. O controle remoto me liga com outra realidade, pessoas sempre sorrindo e dispostas a lhe oferecer uma nova vida, basta fazer um depósito bancário ou ligar para esse telefone que aparece na TV. Boa Sorte!!!
A água fria da pia me acorda para a realidade habitual, onde dinheiro se consegue trabalhando, onde o amor não é cego, cartas de amor são contas atrazadas, fixadas na geladeira.
Aqueço o leite, duas colheres de chocolate em pó, e agora em ordem alfabética, os compromissos vão surgindo na mente. Engraçado que eles crescem e seu tempo diminui, engraçado também que você anota, faz lembretes e realiza 2 ou 3 tarefas de uma lista de 8 e mesmo assim, sua vida segue sem grandes prejuizos. Damos tanto valor para certas coisas e depois, sem querer, percebemos que podemos viver sem elas ou corremos para desejar outras "melhores" e "maiores." Um mundo de listas e metas a cumprir!!!
Na rua, sigo para bater o ponto, encarar um novo dia de trabalho, fazendo as mesmas coisas, olhando os velhos colegas insistindo nos mesmos erros, com as mesmas perguntas e os mesmos programas para o final de semana, mesmo sendo começo de uma.
A vida passa a ser mais divertida quando você conhece o otimismo, se esbarra no improviso, respira devagar e acha dinheiro esquecido no bolso da jaqueta.
Meio-dia, o cheiro da fome marca tarefas matinais vencidas ou adiadas. Você segue para aquele restaurante usual, sabendo que hoje vão servir arroz, feijão, salada, batata frita e 3 opções de carne. Termina tudo em 30 minutos, encontra tempo para pagar alguma conta, ler alguma matéria chamativa na revista da banca da esquina, atravessar a rua e voltar ao segundo tempo daquele trabalho que você sempre quer deixar, mas nunca procura outro melhor.
E assim, um pouco mais cansado, começa a desejar que o relógio ande mais depressa ou que algum incidente aconteça e o faça ir mais cedo para casa... mas nada acontece e você espera, realizando suas tarefas de forma mais lenta, sabendo que pode deixar para amanhã algumas demandas da lista do dia.
6 horas, você solta a mentirosa frase, porém habitual: "Nossa, como o tempo voou"!!!...
Junta suas coisas e sai depressa, com aquele medo aparente, porém não revelado de que alguem ou algo aconteça e o faça ficar 1 hora a mais no trabalho.
Chegando em casa, joga as chaves na mesa, tira 50% de sua roupa de trabalho e da cozinha enquanto prepara algo para comer, escuta as promessas e propagandas de uma vida diferente da sua, brilhando na tela da TV.

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